Trabalhar num Navio

Trabalhar em navios de carga ou de passageiros, é uma oportunidade que pode e deve considerar.

  • Se é estudante e pensa em construir uma carreira de sucesso, é fundamental conhecer as oportunidades e os requisitos necessários para trabalhar num navio;
  • Se já tem uma profissão em terra, cozinheiro, fotógrafo, animador, etc., considere desempenhar as mesmas funções a bordo de um navio.

Trabalhar num navio – há lugar para mim?

Trabalhar num navio inclui um vasto universo de atividades profissionais, algumas das quais mais exigentes em termos de qualificação, outras nem por isso. Por esta razão, trabalhar num navio depende apenas de cada um, do seu objetivo, do seu nível de informação acerca da carreira, da sua vontade, da sua disponibilidade para desenvolver competências, da sua perseverança, disciplina e método.

Questões que deve colocar em primeiro lugar:

  • O que significa trabalhar num navio?
  • Possuo informação suficiente para querer realmente perseguir este objetivo?
  • Possuo as características certas para aproveitar esta oportunidade?

O  mundo do transporte marítimo

O transporte marítimo é a espinha dorsal do comércio internacional e um motor da globalização, constituindo um pilar fundamental da civilização que conhecemos. Mais de 90 000 navios transportam atualmente 90% do comércio mundial e empregam 1,8 milhões de marítimos (homens e mulheres que trabalham em navios). O mundo do transporte marítimo é crucial para a nossa existência quotidiana, mas poucas pessoas têm ideia do que acontece em alto-mar.

Uma oportunidade a considerar

Trabalhar num navio constitui uma carreira internacional. Não só porque Portugal tem um número insignificante de navios face ao mercado global, mas porque os conteúdos de formação e o processo de certificação são normalizados a nível global. Quer isto dizer que a formação especializada realizada em Portugal, é certificada e reconhecida em muitos países, podendo assim trabalhar em milhares de navios, de diferentes nacionalidade. O que significa que o investimento na formação na área do transporte marítimo tem um elevado retorno – o mercado de trabalho é global, praticamente sem fronteiras ou barreiras.

Trabalhar num navio é para todos. Mas nem todos são (aptos) para trabalhar num navio. Trata-se de uma carreira que requer suficiente robustez física e psíquica, estabilidade emocional, vontade de viajar e facilidade de integração em ambiente multiculturais, conhecimentos básicos ou avançados de inglês consoante a área de atividade, e atitude positiva.

E a idade? É um fator eliminatório?

Grande e comum questão para a qual existe uma única e simples resposta:
– A idade não é, regra geral, fator eliminatório na entrada num navio. As lacunas de competências sim. A falta de informação e a deficiente pré integração na comunidade marítima também. A ausência de um plano e de determinação para o executar, constituem importantes obstáculos. As maiores limitações são, porém, as que criar na sua cabeça, a falta de confiança, as respostas negativas que der a si próprio.
A saúde é o verdadeiro fator eliminatório. Não só porque os testes médicos necessários e exigidos pelas companhias são cada vez mais exigentes. Também porque não vai querer estar a bordo de um navio, se não estiver 100% capaz, física e intelectualmente.

O que ganho com isso?

Parece uma questão egocêntrica mas faz todo o sentido. Faz parte do processo de integração de informação para avaliação e suporte a importantes decisões. Afinal falamos de opções profissionais, de seleção de caminhos que podem fazer toda a diferença.

Trabalhar num navio tem aspetos positivos e negativos. Nos primeiros, destacamos o facto de poder ganhar (poupar) dinheiro, muitas vezes livre de impostos, viajando e conhecendo outras culturas, algumas com as quais não iria decerto ter contato ao longo da sua vida. Acrescentamos ainda o convívio com naturezas gigantes, secretas, inspiradoras e com pessoas únicas. E, finalmente, o enriquecimento único do currículo, com uma experiência reconhecida e valorizada em qualquer área. Particularmente nos serviços em terra, das companhias que operam navios e nas indústrias similares às dos navios ou tecnologias utilizadas.

Nos aspetos menos positivos, a saudade da família, dos amigos, da alegria e diversidade da nossa gastronomia. Também o afastamento da atualidade e da cultura geral. As notícias ficam distantes, os cinemas e teatros mais ainda, as comunicações sofrem e a internet, a maior parte das vezes e quando disponível, paga-se.
O mercado do turismo em navios de cruzeiros encontra-se em franca expansão, com resultados de exploração milionários, estando prevista a construção e lançamento de dezenas de navios todos os anos. Este crescimento é acompanhado da necessidade de contratação de tripulações, com ou sem especialização.

24 horas / 7 dias da semana

Trabalhar num navio significa estar disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana. Significa trabalhar cerca de 11 horas por dia. Além do desempenho das suas funções profissionais regulares, deve estar preparado para exercer funções no domínio da segurança, nomeadamente na salvaguarda de vidas, da carga e do navio.

Significa também conviver praticamente sempre com as mesmas pessoas, integrado na equipa de trabalho ou em espaços limitados para o convívio. Adicionalmente, nos navios de cruzeiros, partilhar cabinas com uma ou mais pessoas, suportar a quase total ausência de privacidade, ter acesso a internet a velocidade reduzida e a preços elevados. E, ainda assim, desfrutar e sorrir, voluntariamente.

Na realidade, embora esta informação pareça assustadora, na realidade o ritmo de vida num navio conduz-nos de forma natural e saudável, a trabalhar e a conviver mais e a dormir menos. Há sempre muito para fazer, para aprender e para crescer.

Posso realmente visitar as cidades por onde o navio passa?

Depende de muitos fatores. Principalmente do tipo de navio e das rotas em que opera. Em alguns navios de transporte de carga, é comum passar muito tempo no mar e pouco tempo em terra. E quando em porto, devido ao reduzido número de tripulantes e às operações de carga e descarga, visitas e inspeções, pode tornar-se difícil a saída.

Em navios de passageiros, nomeadamente de cruzeiros, quase todos os dias se visita um local diferente. A navegação é realizada durante a noite e os percursos mais longos são ocasionais. Normalmente a tripulação tem tempo para sair e visitar as cidades, exceto quando se situam distantes dos portos. As equipas organizam-se e, sem prejuízo dos serviços do navio, encontram rotações de saídas, que praticamente não deixam ninguém a suspirar. Na maior parte dos locais é possível usufruir de 2 a 4 horas de tempo livre para compras, alimentação, praia, fotografia, eventualmente excursões, etc. Por vezes mais, quando o navio pernoita em alguma cidade. Nestes casos, uma grande parte da tripulação passa a noite fora do navio descobrindo as delícias locais, descomprimindo tensões e aprofundando relacionamentos.

Claro que algumas profissões têm mais restrições que outras, mas ninguém está preso. Existem sim, tripulantes que não se ausentam do navio, por opção própria. O que deixa mais espaço para outros aproveitarem esse benefício.

E a alimentação?

Uma citação marítima afirma: “Bad cooking is responsible for more trouble at sea than all other things together”.

Algumas companhias conhecem esta citação e respeitam-na. Reconhecem que as suas tripulações são o mais importante ativo das suas empresas, investindo na sua nutrição e na variedade de oferta gastronómica. Porém, tal não sucede em muitas companhias. Em alguns navios, a alimentação deixa muito a desejar. Não por culpa dos cozinheiros, tão pouco pela ausência de ingredientes de qualidade. A maior parte das vezes, por falta de políticas adequadas e de liderança para as implementar.

Verifica-se porém outro fenómeno, particularmente nos navios de cruzeiros. Enquanto os passageiros entram e saem praticamente todas as semanas, os tripulantes vivem meses a bordo dos mesmos. É natural que, ao fim de algum tempo, as ementas e os métodos culinários se tornem repetitivos, o que pode conduzir a alguma perda de apetite. Nestes casos torna-se imperativo a saída em portos e o investimento em diversidade alimentar local.

E as tempestades?

Todos os navios são calculados e construídos para navegar em mares calmos e menos calmos, e também sob intempéries, incluindo ondas de 12 metros e ventos superiores a 100 km. Evidentemente, nenhum navio foi projetado para suportar fenómenos meteorológicos extremos, incluindo furacões, ciclones tufões e tornados, sendo a navegação normalmente evitada nas zonas onde os mesmos se desenvolvem e evoluem. Felizmente, nos dias de hoje a informação meteorológica disponível permite prever e antecipar a evolução das condições no mar, propiciando uma análise atempada e as melhores decisões por parte dos comandantes dos navios e das respetivas companhias.

Relativamente aos navios de cruzeiros, os programas de viagens são preparados e vendidos com muita antecedência, pelo que, regra geral, os mesmos não são cancelados, embora possam ser modificados os seus portos de escala, de acordo com as condições registadas na data da realização dos cruzeiros. Registando-se situações de significativo mau tempo, por vezes os navios ficam retidos em portos aguardando melhores condições; em outros casos alteram-se os percursos de viagem.

Porém, de forma a cumprir os calendários previstos, principalmente de início e de fim de cada cruzeiro, nem sempre é possível evitar o mau tempo nos percursos destes navios, com o natural prejuízo para os passageiros que não desfrutam da sua viagem nas melhores condições e para os tripulantes que têm de assegurar os serviços, mesmo que com o natural enjoo.

O que é restrito/ proibido?

O transporte ou consumo de drogas é absolutamente proibido a bordo dos navios, como seria de esperar. O consumo de álcool é restrito. Neste caso, a permissividade varia de navio para navio, mas a tendência é generalizada: drogas e álcool não se enquadram com a responsabilidade requerida a todos os tripulantes de navios. Particularmente em navios de cruzeiros, são comuns inspeções surpresa a cabinas, inspeções em porto por polícia especializada e controlo aleatório de níveis de álcool no sangue. Nos bares destinados à tripulação apenas se vendem bebidas de baixo teor alcoólico e a todas as outras é proibida a entrada a bordo.

Um navio é uma comunidade onde todos dependem de todos. Um ambiente fechado e de espaço relativamente reduzido, onde a segurança é levada muito a sério. Não só o navio se encontra em movimento, por vezes sujeito a mares e ventos desafiantes, como existem a bordo sistemas e espaços que necessitam de elevada vigilância e controlo, nomeadamente na prevenção de incêndios. Enquanto em terra, na ocorrência de um acidente, pode chamar os bombeiros e fugir para longe, num navio vai com certeza ter uma missão no seu combate ou na salvaguarda de vidas, da carga e do navio. Prevenir é a palavra-chave.

Quero Trabalhar num Navio! Onde apresento a minha candidatura?

Respondemos com algumas questões:

  • Conhece suficientemente a indústria do transporte marítimo?
  • Qual a função que pretende desempenhar?
  • Tem um CV marítimo vencedor, em inglês?
  • Possui os documentos e certificados necessários?
  • Tem as malas prontas para embarcar amanhã?
  • Sente-se já parte integrante da comunidade marítima, mesmo sem ter ainda embarcado?

Existem muitas empresas às quais se pode candidatar para trabalhar num navio, direta ou indiretamente. Existem mais profissões em navios dos que as que consegue imaginar. Existem empresas que o podem recrutar, que nem sequer imagina neste momento. Existem, inclusive, alguns tipos de navios e de atividades marítimas que desconhece. Pode encontrar ou ser encontrado. Depende da sua visibilidade.

Prepare uma candidatura vencedora e mostre o seu valor ao mercado de trabalho em navios. De forma clara, completa e detalhada. Obtenha informação real e atualizada, alargue a sua visão, planeie e complete as suas competências.

Recomendamos que participe na Formação Trabalhar num Navio, realizada pela APORMAR. Aprenda e prepare a sua candidatura com quem realmente sabe!

Trabalhar num Navio é para si. Mas tem de o querer.