Comunicar o Mar

Portugal é mar. Não está escrito nas paredes, nem em grandes cartazes. Não se ouve na rádio nem na televisão. Fala-se, porém, em algumas escolas, universidades e lá por fora também. Aos olhos e sentidos estrangeiros, Portugal é uma nação marítima e tem legítima autoridade neste domínio. Cá dentro perdemo-nos, com frequência, nas interrogações e na dispersão. Focar ideias e alinhar ações, são propósitos complexos e irregulares, no nosso território e na nossa mente. Mas o nosso coração e o nosso espírito não nos deixam dúvidas: corre-nos mar salgado nas veias. E saudades de regresso, de viagens que nem sequer ainda iniciámos.

Nascemos azuis em Portugal. Por dentro e por fora. Todos iguais na identidade marítima, herdada de antepassados grandes, nas ideias e nas concretizações. Continuamos um povo ambicioso, lutador, inteligente, capaz de surpreender todos os mundos que conhecemos. Até a nós próprios facilmente ultrapassamos, de tão modestos os limites que estabelecemos. Da obra de excelência feita, com os braços e abraços deste povo, apenas nos separa uma pesada humildade, um fado confortável, e um desgoverno crónico. Sentido de Estado e Homens maiores não faltam nas ruas e casas portuguesas, mas outras vozes, espertas e populistas, falam mais alto. Génio, intelecto e talento sobra também nos nossos jovens, mas por ali se estraga também, quantas vezes por falta de uso.

O senso comum diz-nos que as ideias em gavetas não geram riqueza nem emprego. E que a burocracia é homicida voluntário da agilidade e da dinâmica das ações. É também reconhecido, sem fórmula que o sustente ou justifique, que o que não se comunica não existe. E é nesta verdade simples e despreocupada, que se esconde o maior obstáculo à afirmação de Portugal é mar. Temos mar efetivamente, mas grita o silêncio de uma estratégia de comunicação ausente. Não está esquecida, apenas não existe.

O mundo em que vivemos é marketing, comunicação e inovação. Tudo o resto é lastro, útil e necessário, mas pesado e imóvel. O marketing sobe ao palco os produtos, os serviços, o talento e as ideias, onde podem estes apresentar a melhor performance. A comunicação amplifica vozes e vontades, ergue aplausos e contagia ânimos. A inovação nasce, alimenta-se e renova-se neste espetáculo, vibrante de intelecto, energia e cor, acordando o mar vizinho. E é neste convite para a festa, que o mar se veste com trajes de economia, e nos presenteia com a sua fartura azul.

Portugal é e sempre foi mar. Falta apenas comunicar.

Não existe estratégia de comunicação do mar em Portugal. E o que não se comunica não existe. Vamos explicar como se se constrói esta estratégia e como se comunica o mar, na Formação Economia Azul: a nova Economia do Mar.

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