Marítimo = Aquaviário = Seafarer

O planeta não se tornou mais pequeno mas a globalização encarregou-se de aproximar humanidades. O homem do Mar é cada vez mais internacional e isento de fronteiras, seguindo padrões e normalização de terminologia e de carreiras.
São porém os diferentes idiomas e os seus termos e definições, que se encarregam, ainda, por criar alguma desordem em toda esta arrumação.
Quem é o Marítimo, Aquaviário, Seafarer?

Quem é o Seafarer?
Seafarer é o lado humano do mar. O lado maior. As definições encontradas em várias fontes, desafiam a prosa e libertam-nos o imaginário para histórias gigantes, do tamanho de séculos.
Seafarer é o “Marinheiro, navegante, homem do mar”, afirma a Google.
“Marinheiro, uma pessoa que viaja por mar”, sublinha o Free dictionary.
“Uma pessoa que viaja regularmente por mar”, desafiam os Oxford dictionaries.
“Alguém que trabalha ou viaja num barco ou navio no mar”, confirma a Encyclopedia Britannica.

Quem é o Marinheiro?
Voltam a ser as definições a apontar caminhos, a ser motor de descoberta. O Marinheiro encontra sentido no mar e também nos rios e nos lagos, virtualmente onde se possa navegar.

Segundo a wikipédia,
“Marinheiro é, em sentido lato, uma pessoa que opera embarcações ou assiste à sua operação, manutenção ou serviço. O termo aplica-se aos profissionais das marinhas de comércio e pesca, aos militares das marinhas de guerra e aos profissionais e amadores certificados da náutica de recreio. Além do sentido lato, no qual se refere desde ao grumete até ao almirante, nas marinhas de guerra o termo “marinheiro” designa, em sentido restrito, uma ou mais graduações dentro da categoria dos praças. Igualmente, na marinha mercante, o termo “marinheiro” refere-se a uma ou mais categorias profissionais do pessoal do convés, dentro do escalão da marinhagem.”

Segundo o dicionário Priberam,
“Marinheiro é uma pessoa que trabalha a bordo de um barco; homem do mar (principalmente quando embarcado), o mesmo que Marítimo ou Marujo”.
Do ponto de vista militar acrescenta “Indivíduo da marinha de guerra; praça da armada com graduação inferior à de cabo e superior à de grumete.”
E finaliza afirmando “termo relativo à vida no mar ou às pessoas que trabalham a bordo de um barco. O mesmo que Marítimo.”

A Infopédia (dicionários Porto Editora) esclarece,
“Marinheiro é um indivíduo que trabalha a bordo de uma embarcação; indivíduo entendido na arte da navegação”.
Do ponto de vista militar acrescenta “Designação comum aos militares que ocupam um dos postos superiores a grumete e inferiores a cabo (primeiro-marinheiro e segundo-marinheiro)”.

O Dicionário InFormal, de origem brasileira acrescenta,
“Marinheiro é o indivíduo que trabalha num iate ou embarcação de porte”.
Do ponto de vista militar, “Militar da armada de graduação menor que a de cabo”.
Esclarece ainda “Homem do mar, bom nadador e apto a navegar”.
E surpreende “Popularmente, marinheiro é um fragmento de fezes renitente, que não afunda e muito menos deixa-se levar pela descarga”.

Quem é o Marítimo?
Para se explicar o Marítimo, temos de nos socorrer da definição de Marinha Mercante.
Segundo a wikipédia,
“A marinha mercante é o conjunto das organizações, pessoas, embarcações e outros recursos dedicados às atividades marítimas, fluviais e lacustres de âmbito civil.
A marinha mercante, é normalmente subdividida em três ramos:
Marinha de comércio – dedicada, essencialmente, às atividades económicas de transporte de passageiros e de carga, através do mar, de rios, de lagos e de canais;
Marinha de pesca – dedicada à atividade da pesca;
Marinha de recreio – dedicada ao desporto náutico e às outras atividades recreativas.
Além destes três ramos, a marinha mercante também inclui as atividades transversais aos mesmos, como a autoridade marítima, a formação náutica, as operações portuárias e a investigação marinha.”

Podemos agora esclarecer que, em Portugal, todos os profissionais da marinha mercante – de todos os escalões, categorias e carreiras – são designados, genericamente, por “Marítimos”. Esta classificação inclui os profissionais de transporte marítimo e os profissionais da pesca. O termo “Marítimo” surge, aparentemente, como uma simplificação da expressão “trabalhadores marítimos” ou “inscritos marítimos”.

E no Brasil?
Interessa primeiro definir o termo “Transporte Aquaviário”.
Segundo a Portopédia,
“O transporte aquaviário, aquático ou hidroviário consiste no transporte de mercadorias e de passageiros por barcos, navios ou balsas, via um corpo de água, tais como oceanos, mares, lagos, rios ou canais. O transporte aquático engloba tanto o transporte marítimo, utilizando como via de comunicação os mares abertos, como transporte fluvial, usando os lagos e rios. Como o transporte marítimo representa a grande maioria do transporte aquático, muitas vezes é usada esta denominação como sinónimo.”

Podemos agora clarificar que, no Brasil, os profissionais da marinha mercante são globalmente designados como “aquaviários”, os quais se dividem em vários grupos, entre os quais o dos “marítimos”, o dos “fluviários” e o dos “pescadores”.

Conclusão:  Marítimo = Aquaviário = Seafarer


O que diz a MLC (Convenção do Trabalho Marítimo)?

O texto apresentado previamente é informativo e esclarecedor, mas importa sustentar o mesmo em definições reconhecidas internacionalmente. Socorremo-nos para o efeito, do instrumento que regula o trabalho marítimo, a convenção MLC 2006 (Maritime Labour Convention). Esta convenção é um instrumento da ILO (International Labour Organization), uma agência especializada das Nações Unidas, tendo sido adoptada até à data por mais de 70 países.

Na referida convenção, podemos ler no artigo II, parágrafo 1 (f):
– “Marítimo designa qualquer pessoa empregada ou contratada ou que trabalha, a qualquer título, a bordo de um navio ao qual se aplique a presente convenção.”

A MCA (Maritime & CoastGuard Agency) do Reino Unido, reconhece a importância da definição e, na respetiva implementação interna da MLC 2006, acrescenta e clarifica:
– “Marítimo (seafarer) designa qualquer pessoa, incluindo o comandante, que esteja empregada ou contratada ou que trabalhe em qualquer forma, a bordo de um navio e cujo local normal de trabalho é num navio.”

Concluímos assim, que o marítimo (seafarer) é qualquer pessoa que realiza o seu sustento, através do trabalho a bordo de navios. Quer a atividade profissional seja de piloto do navio, médico, músico, massagista, ou qualquer outra disponível nos mesmos. Importa esclarecer, à luz das definições anteriores, que uma pessoa que embarca num navio como passageiro e que, enquanto a bordo, decide trabalhar na sua atividade (escrever, enviar emails, gerir remotamente, etc), não é um marítimo.

Esclarecido?
Marítimo não é apenas aquele que possui Cédula Marítima, apesar de muitos profissionais e instituições portuguesas ainda defenderam esta afirmação.

Confuso?
Nada como uma segunda leitura, com tempo.
O Mar é mesmo assim. Não se vive nele com pressas.

Mas não esqueça:

Se trabalhar num navio, é marítimo.

Bem vindo!

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