Sondagem ‘Desafios para a Escola Superior Náutica Infante D. Henrique’

ENIDH_2014

O Transporte Marítimo Global apresenta-lhe uma sondagem, que permitirá identificar pontos notáveis e indiciar linhas de acção, que apoiem a estratégia desta importante Instituição.

A ENIDH é a única instituição de ensino superior náutico em Portugal.
A exclusividade é também uma enorme responsabilidade, obrigando a afirmação, posicionamento e crescimento. Num mundo globalizado e em constante mutação, não crescer é de alguma forma morrer.

Para prevalecer, é necessária inovação, antecipação, agilidade, plano e execução.
Para que se opte pelo caminho correcto, é fundamental  identificar forças e fraquezas, ameaças e oportunidades. Importa auscultar opiniões e mercados, porque o conhecimento de muitos é sempre superior ao de poucos.

Os resultados serão actualizados instantaneamente e estarão visíveis a todos, constituindo informação valiosa e actualizada.
As respostas são anónimas, não sendo criada qualquer base de dados de contactos.

O Transporte Marítimo Global agradece a sua colaboração.

13 thoughts on “Sondagem ‘Desafios para a Escola Superior Náutica Infante D. Henrique’

  1. Apoiado Comandante Curto. Navegámos juntos no estrangeiro alguns anos. Fizeste uma analise com olhar critico e construtivo como deve ser feita.
    Salvo algumas visitas de estudo que os alunos da EN fizeram aos navios que chefiei, nunca senti da parte da Escola vontade de aproveitar o Know how comprovado, aqui e em qualquer parte do mundo, que nós oficiais com mais de trinta anos de mar possuímos.
    Porquê é uma interrogação que deixo, embora tenha opinião formada acerca do assunto, mas isso daria pano para mangas como se costuma dizer.
    Um destes dias alguém olha para a EN com olhos de ver e é capaz de chegar á conclusão que esta não faz mais sentido. A acontecer uma situação destas ficaria muito triste e desapontado,mas por vezes dentro do nosso autismo cavamos a própria sepultura.

  2. Sou Capitão da MM, do curso de 1977. Fomos os “Horríveis” e apanhámos a transição entre o ensino protagonizado pela Armada e o pós 25 de Abril.
    Entrei para a EN com dezasseis anos e saí com vinte e um. Na época a Marinha Mercante Portuguesa estava à altura das suas congéneres Europeias, tanto em dimensão de frota, como em qualidade e desempenho profissional das suas tripulações. Os Oficiais formados na EN eram na realidade preparados para o ser e desempenhavam essas funções ao embarcar, depois de terminar o curso. Creio que do nosso curso embarcámos todos como 3º pilotos. A procura era superior à oferta.

    Chega de passado. Passemos à experiência: comecei a comandar aos trinta anos, sem interrupções até hoje, ou seja há vinte e oito anos. Curiosamente este facto só aconteceu porque não trabalho para armadores Portugueses desde 1985… Nunca teria acontecido se ficasse em Portugal.
    O nosso PM tem razão, embora a forma como o diga menospreze a decisão de emigrar e deixa ao acaso o futuro da emigração forçadamente espontânea, ficando as pessoas zangadas, com razão.

    A minha visão do ensino náutico:
    A EN não divulga a sua atividade na comunidade nacional porque não existe MM. Qualquer armador alemão de dimensão familiar tem 40 ou 50 navios, mais do que o total da frota nacional atual.

    A EN não divulga a atividade que desenvolve na comunidade internacional, porque conheço três mannings / crewing agencies (para frotas de contentores, granéis sólidos e líquidos) com cerca de 700 navios cada e onde estão a trabalhar menos de 10 oficiais portugueses, para não dizer três ou quatro…

    Não divulga ativamente nada no ensino secundário, porque não tem saída profissional para os estagiários e muito menos para os jovens oficiais.

    A EN não é proactiva nem aberta ao mundo porque não sabe o que se passa no mercado de trabalho. Ignora como é feita a contratação de quadros, quais são os sectores em pressão de procura a nível global, para poder adequar a oferta de ensino a quem procura por oficiais qualificados para sectores de mercado específicos.

    Donde, a EN não é inovadora nem desenvolve investigação que a coloque entre as escolas que produzem oficiais no mercado internacional.

    Pode ser uma instituição de ensino de qualidade a nível interno. Mas a carreira dos professores é mais importante do que a dos profissionais que a escola produz e que não têm progressão na carreira, contrariamente ao que acontece ao corpo docente, porque não há marinha mercante nacional.

    Não vale a pena discutir o óbvio: não temos um navio português a abastecer de gasóleo, jet, gasolina ou fuel às ilhas da Madeira ou os Açores. Nem para importar ou exportar ramas ou gasóleo, como está atualmente a fazer-se. E temos atualmente alguns navios de contentores no tráfego insular, por este ser protegido e altamente subsidiado, porque em condições normais de mercado aberto, já tinham desaparecido.

    As nossas importações e exportações são feitas por armadores estrangeiros já há muitos anos. A vocação internacional dos nossos armadores dilui-se nos últimos vinte anos. O shiping é um negócio difícil, que requer muita disciplina, excelência de desempenho, conhecimento, dedicação, paciência em atingir objetivos a médio e longo prazo. Não é como os supermercados, nem como as estações de serviço, em que o lucro é rápido e assegurado.

    A EN não apoia ativamente a inserção profissional dos futuros oficiais porque não tem voz ativa no mercado de trabalho estrangeiro, que é quem contrata oficiais. Formaram-se oficiais para o mercado interno, para que o armamento nacional pudesse escolher à vontade, em face duma oferta de oficiais superior às suas necessidades, conjugando baixos salários, com a obrigação de agradar e o medo de ser preterido, por qualquer outro colega, disposto a aceitar as condições que devíamos recusar.

    A EN não acompanha os oficiais que forma, ao longo da sua carreira profissional. Pelo menos a minha experiência até hoje não serviu para dar uma palestra ou apoiar qualquer seminário de interesse para os alunos finalistas, por exemplo. Pro bono, sempre pro bono.

    Não sou da opinião que a EN tenha um navio escola. É um esforço financeiro que não compensa nem se compara com os estágios que se podem fazer em navios no seu desempenho comercial. Além disso qual é o professor que embarca de dois em dois anos ou coisa do género, de preferência no Inverno, para não esquecer o que não quer lembrar?

    Sejamos realistas: não temos um número de marítimos significativo ou de armadores, para pressionar a administração marítima ou a EN para que se adaptem à realidade, ao mercado internacional. Seria necessário olhar atentamente o mercado internacional, os sectores em alta, que requerem formação específica, com forte procura de talentos jovens. O offshore é uma opção em que a EN devia investir. Outros sectores deviam ser considerados: a formação de pilotos de barra, a formação de técnicos de reparação naval, de técnicas de revestimento, pintura e corrosão, automação e controle dedicado.
    Há todo um mundo de oportunidades relacionadas com o meio marítimo que deviam ser consideradas em termos de formação profissional.

    Criticar é fácil, fazer uma análise científica destas questões é mais difícil.

    Muito fica por dizer e muito mais por fazer.

    • Comandante

      Traçou a radiografia não só da escola nautica e da sua actuação, mas do sector maritimo nacional. De facto já é quase um abuso linguistico falar em MM nacional, é uma coisa que desapareceu. A continuarmos assim um dia destes alguém irá perguntar para que serve a Escola Náutica.

      • Ricardo posso contar consigo para mudarmos o rumo às coisas? Os alunos da náutica precisam que os mais experientes (pois não há antigos no mar só experientes) os ajudem a encontrar um rumo!

    • Gostei do seu comentário, por isso lanço-lhe um repto: está disponível para ser orientador de estágio a bordo do seu navio? Se sim podíamos começar por aí, estabelecendo protocolos com empresas. Já lido há 10 anos com alunos do ensino profissional (a nível do secundário) e como diretora de curso a minha responsabilidade era arranjar estágios, e colocá-los no mercado de trabalho, e garanto-lhe que gastava muito mais horas de trabalho do que as que me pagavam… mas resta a consolação de ver os meus ex-alunos a progredir! Os jovens são o futuro do nosso país! Façamos isto por eles… Aceita? ( Não sou professora na Náutica, mas tenho lá ex alunos meus, e por eles vou até aos confins dos oceanos)

      • Estela,

        Não faço parte da MM nacional. Há bastantes anos que trabalho para armadores estrangeiros, essencialmente alemães, a partir de agências de recrutamento internacionais. Porém a aproximação da EN a essas agências seria essencial para colocar estagiários no mercado.
        dificilmente poderá ser de outra forma. Tanto numa perspetiva de suprir as suas necessidades futuras com mão de obra academicamente qualificada, como na perspetiva de entender quais são as necessidades desse mercado a curto e médio prazo, de forma a direcionar formação especifica para esses setores.
        Atualmente, o ensino não pode ser só lecionar. Tem de ter uma vertente comercial. tem de ser vendido. Tem de mergulhar na essência da sociedade: procura e oferta. tem de procurar onde irá ser aplicada a sua vertente formativa, de investigação. Tem de existir integrada na marinha mercante mas numa perspetiva global.

    • Sr. Comandante,

      O repto que a senhora Estela Costa lhe lançou é exactamente o de ligar a EN ao estrangeiro, como por exemplo aos armadores alemães que exemplifica.

      Sou um dos mais recentes alunos formados na EN, e apesar de procurar diariamente por oportunidades de estágio no estrangeiro, a falta de ligações e visibilidade da EN nesse espaço não me proporcionaram resultados positivos até o momento.

      Concordo com a sua opinião, experienciando activamente as consequências de tudo o que referiu. Eu e os meus colegas recém-formados esperamos (e desesperamos) por uma oportunidade de estágio, tendo alguns de aceitar propostas de trabalho precário para obterem o certificado de OW, pelo excesso de oferta de oficiais para o mercado nacional. Por estes e muitos mais motivos, nem considero o MM nacional uma opção de carreira, tal como a decisão que terá tomado para progredir na sua carreira.

      Apelo, em nome dos futuros oficiais portugueses, que pondere o repto lançado pela Sra. Estela Costa. Pode ser que fique um pouco menos por fazer e muito mais que falar.

      • António Curto, quando tiver disponibilidade aceita tomar um café para debatermos ideias? Os nossos jovens precisam de nós! Temos que começar por algum lado, precisam de si….

      • bom dia Estela Costa,

        o seu entusiasmo é motivante.
        Estou a fazer as malas para embarcar em breve.
        Como sempre fiz, levo na minha bagagem a vontade de ter Portugueses a trabalhar ao meu lado. Não será desta vez que vou esquecer essa ideia. Farei tudo o que estiver ao meu alcance para ligar as pontas soltas que têm de ser atadas.

        A EN não pode desistir. Tem de olhar para fora, não para captar alunos, mas para os enquadrar num mercado de trabalho com carências especificas.

      • caro Aluno Náutica

        a EN não existe por si só. Tem uma tutela. Se eu lhe disser que há uns anos atrás o governo fez acordos de cooperação com as ex colónias no âmbito da marinha mercante e da docência a vários níveis estarei mexer no passado e a libertar um certo cheiro a bafio. Não há necessidade de mexer no passado. Se olharmos hoje para o lado de lá do atlântico, podemos interrogar-nos porque será que é mais fácil o Brasil fazer um acordo de cooperação com a argentina para os oficiais argentinos poderem tripular navios de bandeira brasileira e a nós nem por sombras nos querem lá? Nós até falamos português como eles! Mas esses acordos estão longe do nosso alcance. A iniciativa teria de partir da administração central. Do mesmo modo poderíamos questionar porque é que não se fazem protocolos com os armadores que aderiram ao 2º registo nacional / madeira? quid pro quo.

        bom fim de semana

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